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Como surgem os grandes negócios

Segundo o consultor Flávio Del Puente, grandes negócios podem surgir por 6 motivos principais.
Conheça os motivos que deram origem aos mais significativos empreendimentos.

ASSOCIAÇÃO:

Quanto maior a exposição a diferentes fontes de conhecimento, maior a probabilidade de fazer intersecções criativas.

PROBLEMA:

Quebrar a cabeça tentando resolver uma questão exercita o raciocínio e a intuição.

EXPERIÊNCIA:

Quanto maior o repertório de alguém em um tema, maiores as chances de aperfeiçoar processos e inovar.

VIAGEM:

Entrar em contato com outras culturas, outros modos de pensar e enxergar o mundo é um dos mais poderosos elixires da inventividade.

NECESSIDADE:

A insatisfação é uma das melhores amigas das novas ideias.

DEMANDA:

Tem sucesso quem consegue perceber, entender e atender os anseios dos consumidores.

Grandes negócios e os seus motivos principais:

GOÓC
DEMANDA – O vietnamita Thai Quang Nghia chegou ao Brasil, em 1979, como refugiado. Mas nunca se esqueceu das sandálias feitas de pneu que calçava quando serviu ao exército do seu país natal como voluntário, aos 17 anos. Em 2002, voltou ao Vietnã como turista e trouxe os tradicionais calçados militares para dar de presente aos parentes. “Todo mundo gostou”, diz ele. Essa aceitação o inspirou a planejar a produção do modelo no Brasil. No ano passado, a Goóc faturou R$ 25 milhões e, neste, a previsão é chegar aos R$ 30 milhões.

RELÓGIO DE PULSO
NECESSIDADE – No início do século 20, o brasileiro Santos Dumont assombrou Paris. Com a fama das proezas aéreas, seu apartamento na Champs Elysées passou a ser frequentado por nobres e empresários, como o joalheiro Louis Cartier. Em 1903, o aviador desafiou o amigo a criar uma solução para um problema específico. O piloto precisava controlar o tempo de seus voos, mas consultar o mostrador de bolso era muito perigoso. Cartier entregou a solução no ano seguinte: o relógio de pulso. O primeiro modelo recebeu o nome de Santos. Apenas em 1911 a joalheria passou a vender a inovação, que caiu no gosto da elite da época. Cem anos mais tarde, as peças da marca chegam a custar R$ 100 mil. A empresa pertence hoje ao grupo Richemont, que faturou US$ 6,7 bilhões no ano passado.

FAST-FOOD
NECESSIDADE – O restaurante dos irmãos Richard e Maurice McDonald em San Bernardino, na Califórnia, foi um sucesso quando inaugurado, em 1940. Após oito anos, no entanto, nada era mais novidade. Os empreendedores fecharam a casa para repensar os conceitos. Os números mostravam que o dinheiro vinha mesmo dos hambúrgueres. Então pensaram em uma forma de rentabilizar o negócio: em lugar de um cardápio com 25 opções, teriam só hambúrguer, milk-shake e batatas fritas. Como a ideia era vender o maior número possível de unidades, a fabricação tinha de ser rápida, e o atendimento, prático. Os McDonalds inventaram então uma linha de montagem para os sanduíches. Os 20 carhops, atendentes com patins que levavam os pedidos aos motoristas, foram cortados. No novo McDonald, os clientes faziam os pedidos direto no balcão. Para tornar mais ágil a cozinha e eliminar a etapa de lavagem, havia apenas talheres, copos e pratos descartáveis. A reforma durou meses. Quando o endereço reabriu, começou a era do fast-food.

MARIA BRIGADEIRO
DEMANDA – Acostumada a fazer brigadeiros desde os 8 anos, a paulistana Juliana Motter ganhou o apelido de Maria Brigadeiro de tanto levar as pequenas bolinhas de chocolate para as festas da família. Já adulta, cursou jornalismo e, alguns anos mais tarde, gastronomia. Durante uma aula de confeitaria, teve a ideia que mudaria os rumos de sua carreira: criar uma versão chique da iguaria popular. “Pensei: por que o brigadeiro tem de ser só um doce de festas infantis?” Em pouco tempo, a jovem criou receitas com blends de manteigas francesas, chocolates importados com 65% a 85% de cacau, avelãs e pistache. Em 2008, Juliana ainda trabalhava como jornalista, quando recebeu um pedido para montar uma mesa de brigadeiros em um evento cultural. “Fiz mil unidades de cinco tipos em uma noite”, lembra. Após o coquetel, não parou mais de receber encomendas. Resolveu montar seu ateliê culinário, batizado de Maria Brigadeiro. Em dois anos, a doceira já criou mais de 40 variações. Hoje Juliana fatura cerca de R$ 3 milhões por ano.

FILMES PELA INTERNET
PROBLEMA – Ao alugar uma fita de vídeo VHS do filme Apolo 13, em agosto de 1997, Reed Hastings queria apenas curtir um fim de semana despreocupado. Só que o engenheiro de Los Gatos, na Califórnia, esqueceu-se de devolver a cópia. Passaram-se seis semanas e a dívida acumulada era de US$ 40. Quando descobriu o atraso, não teve coragem de contar o que tinha acontecido à esposa. Durante uma caminhada, Hastings percebeu que muita gente passava pelo mesmo problema. Então, inventou um jeito de as pessoas não terem prazo de devolução nem multa. Na locadora virtual NetFlix, criada em 1998, os usuários pagam uma assinatura mensal, recebem os títulos em casa e podem ficar o tempo que quiserem com as cópias, mas só podem pegar outros DVDs depois de devolver aqueles em seu poder. Em 2009, a NetFlix faturou US$ 1,7 bilhão. Hoje a Netflix é o serviço de streaming mais popular do planeta, ela alcança cerca de 139 milhões de assinantes, e mais de 190 países.

STARBUCKS
VIAGEM – Em 1982, Howard Schultz era um empregado na área de marketing da torrefadora de cafés Starbucks, quando, em uma viagem à Itália, conheceu a cultura do espresso. De volta a Seattle (nos EUA), Schultz propôs aos patrões implantar um modelo similar, mas sentiu que sua ideia não foi acolhida com entusiasmo. Resolveu, então, abrir sua própria cafeteria, a Il Giornale, com a receita que o havia deslumbrado lá fora: atendimento personalizado e ambiente acolhedor, onde as pessoas pudessem relaxar e saborear bebidas baseadas no espresso. Em 1987, seus antigos chefes ofereceram as lojas da rede. Schultz fechou o negócio por US$ 3,8 milhões e juntou todas as unidades sob o nome de Starbucks. Hoje, as 15 mil cafeterias da marca faturam, em conjunto, US$ 9 bilhões por ano.

ACADEMIA DE GINÁSTICA
NECESSIDADE – Aficionado por esportes, Mário Sérgio Luz Moreira, aos 17 anos, tinha dificuldade de cumprir uma rotina que incluía praticar até quatro atividades em um mesmo dia. “Eu saía do clube e tinha de correr para a aula de natação, depois o jiu-jítsu, o tênis e assim por diante”, diz. Cada modalidade era feita em um endereço diferente. A rotina de ir e vir acabou por instigar o seu lado empreendedor: imaginou um lugar que reunisse de tudo um pouco. Em 1983, aos 20 anos, com US$ 100 mil emprestados de seu pai, entrou como sócio em uma academia de tênis nos Jardins, em São Paulo. Aproveitou os 3 mil m² do local para acrescentar sala de ginástica, espaço para aulas, piscina e uma loja de produtos esportivos. Nascia a Runner, que hoje conta com 20 unidades, 30 mil alunos e um faturamento de R$ 60 milhões por ano.

SPAGHETTI DE PISCINA
ASSOCIAÇÃO – Para pagar o curso de mestrado na França, em 1993, o paulista Adriano Sabino foi trabalhar com manutenção de barcos. Uma de suas tarefas era fazer a pintura externa do barco do estilista Hubert Givenchy. Para facilitar, improvisou uma placa de espuma de polietileno como jangada. Leve e resistente, o material mantinha-o na superfície. Foi quando teve a ideia de criar um produto de entretenimento aquático que, mais tarde, viraria febre no Brasil e até no exterior: o spaghetti de piscina. Patenteou o produto, que deu origem a um negócio milionário.

SUPERBAC
EXPERIÊNCIA – O estudante de administração Luiz Chacon trabalhava na empresa do pai, um laboratório destinado à produção de biossoluções para o desentupimento de petróleo. Como não era biólogo, quis saber por que o produto tinha apenas um tipo de aplicação. “Descobri que poderia usar o blend também na indústria de chocolate para desobstruir canos fechados devido à gordura do cacau”, afirma. Foi assim que, em 1995, aos 20 anos, criou a Superbac, que faz limpeza à base de micro-organismos. Hoje, o paulistano comanda um grupo com faturamento anual de R$ 35 milhões.

CROCS
DEMANDA – Em 2001, em um fim de semana no mar, os amigos velejadores americanos Lyndon Hanson, Scott Seamans e George Boedecker imaginaram como seria mais fácil navegar com um sapato próprio para barcos. Após pesquisar, Seamans descobriu um composto, o Crosslite, perfeito para o produto que tinham em mente, um modelo confortável, leve, antiderrapante e que não marcasse o convés. No ano seguinte, apresentaram sua criação na feira náutica de Fort Lauderdale. Foi um sucesso. Adotado por celebridades, o Crocs tornou-se item da moda instantaneamente. Ano passado, a Crocs faturou US$ 645 milhões.

WRAPS
VIAGEM – Marcelo Ferraz trabalhava como vice-presidente de um grupo de comunicação quando passou a alimentar a ideia de empreender. Os sanduíches enrolados em pão folha, os wraps, que havia conhecido nos Estados Unidos, pareciam ser uma alternativa interessante de comida saudável. “Os americanos fazem esses sanduíches com ingredientes de lanches naturais. Pensei primeiro em reproduzir essa fórmula. Fiz algumas degustações em casa e foi um fracasso.” Mesmo com a pouca aceitação, Ferraz acreditou no formato. Chamou então uma amiga, chef de cozinha, para criar receitas com ingredientes mais saborosos. O grupo faturou R$ 20 milhões em 2009 e deve chegar a R$ 24 milhões neste ano.

LACRE DE PLÁSTICO
ASSOCIAÇÃO – Os perigosos lacres de chumbo em um ferro-velho chamaram a atenção do pai de André de Lima Castro, herdeiro da fábrica que produz um dispositivo substituto.
Em uma de suas andanças por ferros-velhos, onde procurava peças para seus inventos, o engenheiro mecânico Eduardo de Lima Castro Netto topou com lacres de chumbo jogados em um canto. Como trabalhava com metalurgia, ficou preocupado com a toxicidade do material. Assim teve a ideia de eliminar o metal daquele dispositivo de segurança. Após dois anos de pesquisa, lançou, em 1967, o primeiro lacre de plástico do mundo. “Meu pai era tido na família como um professor Pardal. Na época ele recusou um ótimo emprego na Coca-Cola para se aventurar no seu primeiro negócio”, conta André de Lima Castro diretor-presidente da ELC, empresa criada por Netto para fabricar o dispositivo. Hoje o grupo reúne 350 funcionários e fatura R$ 40 milhões por ano.

LIVRARIA CULTURA
EXPERIÊNCIA – Dona de uma rede com nove unidades, um faturamento anual de R$ 274 milhões e um acervo com mais de 3 milhões de livros, a Livraria Cultura, aos 63 anos, só adquiriu essa maioridade quando mudou seu conceito. Foi em 1997, ao inaugurar uma unidade de 600 m2 no Conjunto Nacional, em São Paulo. “Sempre imaginei que nossas lojas pudessem se tornar um centro de entretenimento”, afirma Pedro Herz, diretor-presidente e filho da fundadora, Eva Herz. A Cultura criou espaço para debates, café e áreas de convivência.

GOOGLE
NECESSIDADE – A história da sacada de US$ 114 bilhões começa em 1996. Alunos de pós-graduação da Universidade de Stanford, Larry Page e Sergey Brin constantemente se frustravam com as buscas na internet. Quanto mais informação havia, mais difícil se tornava encontrar o que era relevante. Começaram então um projeto de doutorado para elaborar uma solução. Na procura por referências para a tese, surgiu o insight: no meio acadêmico, os trabalhos de maior valor mereciam mais citações de outros. Page e Brin perceberam que poderiam implantar esse critério no sistema de buscas. Quanto mais ligações uma página conseguia, mais importante deveria ser. A Google Inc. foi criada em 1998 e hoje é a empresa de tecnologia de maior valor de mercado do mundo, à frente da Apple e da Microsoft.

EMBALAGEM LONGA VIDA
ASSOCIAÇÃO – Aos 25 anos, o economista sueco Ruben Rausing embarcou para os Estados Unidos para um curso de pós-graduação na Universidade de Colúmbia. Ao visitar lojas de conveniência e supermercados, Rausing percebeu que o autosserviço se expandia rapidamente e vislumbrou uma demanda futura por embalagens que, de algum modo, protegessem itens perecíveis. Foram mais de 20 anos de pesquisa até conseguir lançar sua embalagem revolucionária, em 1951, na Suécia: uma caixinha na forma de um tetraedro, que protegia o leite de qualquer tipo de contaminação com um sistema de seis camadas de materiais combinados. Com 21 mil funcionários, o conglomerado Tetrapak faturou US$ 11 bilhões em 2009 e distribuiu 145 bilhões de embalagens longa vida
em 170 países.

LAVANDERIA
EXPERIÊNCIA – A lavagem a seco era dominada por pequenas e numerosas lojas na França de 1968. Empresário do setor, Roger Chavanon percebeu que o modelo era limitado. Com preços altos, o volume tendia a ser menor e as empresas mantinham-se dependentes dos mais ricos. Abriu, então, em Marselha, a primeira 5àSec. Como o nome indicava, havia apenas cinco pacotes fixos, o que possibilitava manter valores abaixo do mercado. A fórmula tornou o serviço mais acessível. A rede atende hoje 120 mil pessoas por dia, nas 1.750 unidades em 70 países.

CASA PRÉ-MOLDADA
VIAGEM – Erguer uma residência de dois quartos com 40 m² em duas horas? Essa é a tecnologia desenvolvida pela Sudeste Construções em 2009. A estrutura, de concreto, sai pronta da fábrica em Americana, no interior de São Paulo. Depois é só encaixar as peças. Como não há desperdício de material, o custo da obra chega a cair 20% em comparação ao método tradicional. A ideia veio de uma viagem do engenheiro civil Fábio Casagrande à Alemanha, em 2007. Em uma feira de construção, ele viu um sistema em que a família montava a própria casa. Pesquisou o método e adaptou-o ao Brasil.

YOUTUBE
NECESSIDADE – Um jantar tornou milionários três amigos. Em 2004, Steve Chen promoveu um evento em seu apartamento e chamou seus colegas na companhia PayPal. Ao final, reuniu-se com Chad Hurley e Jawed Karim para partilhar as gravações do encontro com outros convidados. As dificuldades técnicas eram gigantes. Havia uma lacuna de mercado a explorar. Pensaram na versão broadcast do HotorNot, um site em que os usuários publicam suas fotos e a comunidade dá notas e comenta as imagens. Em fevereiro de 2005, lançaram o Youtube, comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão.

LAVAGEM DE CARRO A SECO
NECESSIDADE – O publicitário Lito Rodriguez iniciou sua trajetória de empreendedor com um tradicional lava- rápido em 1994. “Então percebi que para expandir o negócio precisaria estar onde estavam os carros, como os estacionamentos de shopping”, diz. Mas havia limitações. O serviço não poderia gerar esgoto e seria difícil conseguir torneiras. Ao colocar essas condições no papel, Rodriguez teve uma ideia radical: por que não fazer a limpeza sem água? “Fui falar com clientes, fornecedores, químicos, alquimistas, inventores, amigos. Um professor universitário me disse que era mais fácil abrir uma padaria na lua que um lava-carros a seco”, lembra. Em seis meses, Rodriguez desenvolveu uma tecnologia de lavagem a seco de automóveis, patenteada em seu nome. “Eu fui o investigador. Corri atrás, mas teve uma série de pessoas envolvidas no processo”, conta. Em 1998, a marca DryWash passou a ser franqueada e, hoje, há mais de 60 operações no Brasil.

ESTANTE VIRTUAL
PROBLEMA – A ideia nasceu da dificuldade de André Garcia encontrar todos os livros de que precisava para uma prova.
O administrador André Garcia preparava-se para um mestrado em psicologia social. Para passar na prova de admissão, precisou ler uma bibliografia de mais de cem livros em seis meses. Como não conseguiu encontrar todos os títulos em bibliotecas foi a um sebo, mas, ainda assim, faltaram obras. Pesquisas na internet também não solucionaram o problema. Frustrado, Garcia percebeu que se todas as lojas de livros usados estivessem conectadas, sua busca talvez estivesse resolvida em segundos. “É pouco produtivo cada empresa ter sua própria página. Pensei que todo mundo sairia ganhando se houvesse um portal que reunisse os acervos de sebos no mesmo endereço.” Resolveu estudar programação por conta própria e, em 20 de outubro de 2005, colocou no ar o Estante Virtual, que reuniu inicialmente 12 sebos. No ano passado, o site alcançou vendas de R$ 28 milhões. Este ano, com cerca de 1.700 sebos cadastrados, deve chegar a R$ 36 milhões.

RODÍZIO DE CARNES
PROBLEMA – No início dos anos 1960, o gaúcho Albino Ongaratto abriu uma churrascaria, a 477, à beira da BR-116, nos arredores de Jacupiranga, em São Paulo. O negócio seguia como o planejado até que na festa de Bom Jesus de Iguape de 1963, ocorrida na cidade vizinha, filas de romeiros formaram-se à porta do restaurante. Com a demanda bem acima da capacidade, os espetos começaram a ser trocados. Para acalmar a chiadeira, Ongaratto decidiu enviar os cortes de carne que saíam da churrasqueira a todas as mesas. Além de resolver o problema, acabou criando um novo modelo de negócios, o rodízio.

BUSCAPÉ
NECESSIDADE – Em 1998, pesquisar preços significava uma maratona de ligações, visitas em lojas e, para os mais antenados, uma reserva de paciência para abrir várias páginas na internet, tarefa que poderia significar um par de horas em conexão de linha discada. Três estudantes de engenharia de computação na Escola Politécnica da USP, Romero Rodrigues, Rodrigo Borges, e Ronaldo Takahashi, com Mario Letelier, estudante de administração, queriam empreender. A ideia era vender equipamentos e serviços ainda pouco explorados no mercado on-line. Mas a dificuldade em conseguir informações inspirou-os a investir em outro projeto: um sistema de comparação de preços. Todo o esforço no processo de compra virtual poderia ser poupado com a nova ferramenta. Reuniram-se assim em uma sala pequena, compraram três computadores pessoais e criaram o site Buscapé.

DELIVERY DE PIZZA
ASSOCIAÇÃO – Quando Tom Monaghan entrou na Universidade de Michigan, em 1959, queria ser arquiteto. Mas farejou uma oportunidade de negócios: os dormitórios da instituição fervilhavam de jovens famintos. Juntou-se a seu irmão James e comprou, com US$ 500, uma pequena pizzaria, a Dominick’s, depois rebatizada Domino’s Pizza. A ideia era oferecer comida em domicílio aos colegas. Para ganhar velocidade na entrega, Monaghan criou um sistema de linha de produção no qual a pizza ficava pronta em minutos. As caixas foram desenhadas para ser empilhadas. A rede faturou US$ 1,4 bilhão em 2009.

ALUGUEL DE CARROS
DEMANDA – Ao ser lançado em 1908, o Ford T causou uma revolução na indústria automobilística. Barato, simples de dirigir e fácil de ser consertado, o modelo conquistou a América. Em 1916, o Ford T respondia por quase metade dos carros nos Estados Unidos. Apesar de acessível, um automóvel ainda significava status. Em Nebraska, naquele ano, a visita de um amigo mudaria a vida do comerciante Joe Saunders para sempre. Para impressionar uma garota, o visitante lhe propôs pagar para usar seu veículo por um dia. Saunders percebeu que havia uma demanda por aluguel de carros e criou uma rede que chegou a ter lojas em 21 estados. A empresa, no entanto, fecharia as portas com a Grande Depressão. O empreendedor voltaria ao negócio em 1947, como um dos fundadores da National Car Rental.

HOTMAIL
NECESSIDADE – Jack Smith e Sabeer Bhatia eram funcionários de uma empresa do Vale do Silício e não conseguiam trocar e-mails no trabalho sobre projetos pessoais, devido a um firewall que bloqueava o acesso a suas contas particulares. Então tiveram a ideia de usar o browser. Por essa ferramenta, seria possível acessar qualquer conta de qualquer lugar. Criaram em 1996 o primeiro serviço de webmail, o Hotmail, pioneiro também em oferecer e-mail gratuito. Um ano mais tarde, venderam a marca para a Microsoft por US$ 400 milhões.

DERMAGE
EXPERIÊNCIA – Lisabeth Braun reparou que a maioria das receitas médicas era parecida. Por que não criar os produtos em escala industrial? Farmacêutica bioquímica de formação, ela percebeu que muitas das fórmulas encaminhadas pelos dermatologistas para serem aviadas em sua farmácia de manipulação, no Rio de Janeiro, eram bem parecidas. Se os médicos usavam sempre os mesmos ativos, reproduzir as composições em escala industrial poderia ser uma boa estratégia. Para ter certeza de que a ideia era viável, Lisabeth viajou para a Europa a fim de conhecer melhor o mercado. De volta, pediu empréstimo bancário, juntou as economias, procurou profissionais especializados e montou, em 1993, a primeira fábrica de dermocosméticos do país. Hoje, são 90 produtos em linha, 100 mil unidades fabricadas por mês, distribuídos em 35 lojas próprias e 80 pontos de venda. O faturamento do ano passado foi de R$ 43 milhões – apenas 20% desse valor origina-se da manipulação. “Sou muito atenta ao que acontece ao meu redor e talvez esteja aí o segredo de enxergar tantas oportunidades e ter tantas ideias”, afirma.

AMAZON
DEMANDA – Acostumado a extensas análises de mercado, o consultor financeiro Jeff Bezos logo percebeu a mina de ouro digital que teria em mãos quando se debruçou sobre estudos de hábitos de compras dos americanos pelo correio. O grande problema do sistema eram os catálogos. Tinham limitações de tamanho e isso reduzia o público, porque restringia os interesses. Mas na internet, enxergou, não haveria limite para as ofertas. Além disso, as consultas poderiam ser feitas 24 horas por dia, 7 dias por semana. A Amazon estreou em julho de 1995 com uma relação de títulos quatro vezes maior que qualquer listagem física poderia alcançar. O projeto previa um período de cinco anos sem lucro até a empresa atingir o equilíbrio operacional. De fato, apenas em 2001 a Amazon passou a operar no azul, com faturamento foi de US$ 24,5 bilhões.

FITA ELÉTRICA
PROBLEMA – Para instalar uma arandela, John Davies tinha de quebrar a parede. Não queria. Criou então um adesivo com condutor
Quebrar ou não a parede foi o dilema que levou o administrador John Davies a abrir sua própria empresa. Em 2002, logo após mudar-se com a família para uma casa em Valinhos, no interior de São Paulo, precisou instalar uma arandela. Como a pintura era nova, ele relutou em embutir os fios. Mas também não queria deixar a instalação aparente. “Concluí que, se eu tivesse um condutor achatado, poderia pintar por cima e esconder tudo”, diz. Davies achou na garagem uma folha de cobre usada em artesanato, cortou algumas tiras e aplicou um adesivo. Criou assim o protótipo da Eletrofita. Passou a pesquisar materiais e normas técnicas. Depois de sete anos de desenvolvimento, lançou no mercado seu produto. Ano passado, a Eletrofita faturou cerca de R$ 1,2 milhão.

SPOLETO
VIAGEM – Eduardo Ourivio e Mário Chady eram proprietários da rede de cafés Guilhermina e procuravam uma fórmula ao mesmo tempo criativa e simples para abrir um sistema de franquias. Em 1995, Ourivio, que havia trabalhado como chef de cozinha antes de se tornar empresário, viajou a Miami. Lá conheceu um pasta-bar, gerenciado por um colega. Resumia-se a um fogareiro, três tipos de massas e dois tipos de molho. O cliente escolhia os ingredientes e os pratos eram feitos na hora. De imediato, Ourivio ligou para Chady e, na conversa, começaram a desenvolver o conceito de cozinha show. Fundaram o Spoleto em 1999. Atualmente, a rede reúne 260 lojas, obteve um faturamento de R$ 290 milhões e estima um crescimento de 12% neste ano.

PROTEÇÃO DE VASO SANITÁRIO
ASSOCIAÇÃO – Dono de uma bem-sucedida empresa de suprimentos para máquinas de fax, Jerry Wagenhein foi visitar uma feira comercial na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1990. Ao ver um revestimento higiênico para vasos sanitários, teve um insight: criar um sistema automático para troca daquele tipo de proteção. Conversou com seu sócio, Charles Stone, e juntos lançaram o Sani Seat, um assento com uma capa de plástico estéril que é substituída por um conjunto motorizado, sem uso das mãos. A solução, presente em 5 mil banheiros dos EUA, ganhou o mundo.

CASA DO CONSTRUTOR
NECESSIDADE – Quando estavam à frente de pequenas construtoras em Rio Claro, no interior de São Paulo, os engenheiros Expedito Arena e Altino Christofoletti encontravam dificuldades para locar equipamentos, entre eles, betoneiras. “Fomos obrigados a comprar tudo e gastar muito dinheiro”, afirma Arena. Com as máquinas paradas, o caminho para recuperar o investimento foi oferecer a locação. “Para chamar a atenção de empreiteiros e pedreiros, anunciamos em um programa popular de rádio. O retorno foi surpreendente”, diz Arena. “Investimos US$ 8 mil na compra de mais betoneiras, andaimes e ferramentas elétricas, muitos deles importados.” Em 1996, os sócios começaram a formatar a franquia. A Casa do Construtor é a única rede do setor, com 70 lojas e um faturamento previsto para o ano que vem de R$ 45 milhões.

PURIFICADORES EUROPA
EXPERIÊNCIA – Vender filtros era um negócio promissor para o engenheiro Antônio Carlos Camargo nos anos 1980. Os produtos de sua empresa, velas de cerâmica e modelos de instalar em torneira, eram baratos e eficientes se comparados às talhas de barro. O microempresário apostava seu sucesso no custo-benefício. Em 1982, no entanto, tudo mudou. Durante uma apresentação comercial, ouviu o cliente dizer: “O preço é baixo para ter água potável à vontade”. Naquele instante, Camargo se deu conta de que os consumidores compravam mesmo era saúde. E vislumbrou um mercado para uma água ainda mais pura, mesmo que isso significasse um equipamento de valor elevado. Gastou um ano e meio em pesquisas para criar um aparelho, batizado de purificador, que não apenas filtrava partículas, mas removia cloro e metais pesados, além de descontaminar a água. Em 1984, juntou-se ao administrador Dácio Múcio de Souza para fundar a Brasfilter, dona da marca Europa, que hoje vende 5 milhões de purificadores por ano.

EBAY
ASSOCIAÇÃO – Muitas empresas começam com um hobby. O maior shopping eletrônico e site de leilões do mundo é um desses casos. Duas vezes. Em 1995, o consultor de tecnologia Pierre Omydiar ouviu sua noiva, Pamela, dizer que sua coleção de porta-balas Pez poderia melhorar muito se ela conseguisse uma maneira de contatar outros aficionados. O comentário o inspirou a bolar um sistema no qual as pessoas pudessem vender e comprar itens pessoais pela internet. Na mente do especialista, o ambiente virtual seria um hobby que ocuparia suas horas vagas. Naquele ano, lançou o portal Auction Web, por meio do qual os usuários podiam leiloar seus pertences. A ideia se mostrou lucrativa e logo se tornou uma empresa. Após 15 anos, o lazer de Omydiar se transformou no eBay, uma marca de US$ 8,7 bilhões de faturamento anual.

SKYPE
PROBLEMA – O programa de comunicação por voz e vídeo mais famoso da internet surgiu como uma maneira de seus criadores evitarem polêmicas. Desenvolvedores da ferramenta de partilhamento de arquivos Kazaa, o sueco Niklas Zennström e o dinamarquês Janus Friis enfrentaram acusações de quebra de direitos autorais desde o lançamento do software em 2001 até sua venda para a empresa Sharman Networks dois anos mais tarde. A dupla decidiu então desenvolver um produto em que as trocas não envolvessem conteúdos protegidos. Em 2003, concluíram que o negócio era dar voz aos usuários. Criaram assim o Skype, uma plataforma que permite usar a internet para fazer ligações telefônicas sem pagar nada e que faturou US$ 650 milhões no ano passado.

COCA-COLA
ASSOCIAÇÃO – Baseado no sucesso de um tônico alcoólico à base de folhas de coca, conhecido como Vin Mariani, o farmacêutico John Pemberton lançou em 1884, em Atlanta, um produto similar. Dois anos mais tarde, uma legislação proibiu o consumo de álcool na cidade e fez o empreendedor começar a pensar em um novo tipo de bebida. Ao ver o movimento de uma lanchonete onde se vendia soda misturada a vários tipos de xaropes, ele teve a ideia de criar uma versão gaseificada, mais doce e não alcoólica de seu antigo produto. Passou meses testando combinações até inventar, finalmente, a lendária fórmula secreta da Coca-Cola. A marca, estimada em US$ 67,8 bilhões pela BrandZ, é a quinta mais valiosa do mundo.

VENDING MACHINE
PROBLEMA – O reformista, escritor e jornalista inglês Richard Carlile foi preso em 1819 por denunciar o episódio conhecido hoje como massacre de Peterloo, ocorrido meses antes. Durante o cárcere, Carlile imaginou uma maneira de continuar a distribuir obras consideradas subversivas sem que o governo pudesse culpá-lo. Após ser libertado, construiu a primeira máquina para venda de livros em 1822. Eram apenas seis volumes disponíveis por vez. Para conseguir um exemplar, bastava o interessado girar uma espécie de dial, escolher o título, colocar uma moeda e pegar a publicação.

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