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Ambição: você tem fome de quê?

Para o filósofo suíço Alain de Botton, o pior tipo de ambição é o baseado no que os outros pensam. O segredo do sucesso é um só: saber o que você quer.

Para falar sobre ambição e o mundo corporativo entrevistamos um dos principais pensadores da atualidade: o filósofo suíço Alain de Botton.
Alain ficou famoso ao trazer a reflexão de filósofos, artistas e pensadores antigos para os problemas cotidianos. Dos seus livros já publicados, os mais reconhecidos são: As Consolações da Filosofia, Como Proust Pode Mudar Sua Vida e Desejo de Status.
De Londres, onde vive, Alain deu a seguinte entrevista:

O desejo por status é o mesmo que ambição?

Não. A ambição diz respeito às nossas próprias vontades: ter mais dinheiro, ser mais bonito ou construir uma carreira excepcional. Por exemplo, um executivo cuja função é reestruturar uma empresa faz seu trabalho guiado pelo desejo pessoal de colocar suas competências à prova, sem necessariamente se importar com o que as pessoas vão achar disso. A busca por status é uma coisa diferente, pois tem a ver com aquele tipo de ambição orientada pela opinião dos outros.

Algumas pesquisas que medem o clima de trabalho nas empresas mostra que frequentemente as pessoas se sentem angustiadas ou ansiosas com relação a carreira. Isso tem a ver também com a ambição de cada um?

Eu acredito que sim. A competição e a ansiedade são inerentes ao capitalismo. A essência do negócio é a competição e não há competição sem ansiedade. Nos países em que a economia é ruim as pessoas não são tão ansiosas, pois a percepção é de que não há perspectivas de crescimento. Por exemplo, os trabalhadores na França são bem menos ansiosos do que os empregados americanos. Na França, eles não estão tão preocupados em perder o emprego e nem em subir na carreira e ganhar mais dinheiro. Nos Estados Unidos, há mais oportunidades e isso gera muita expectativa nas pessoas que sonham em melhorar de vida.

Ser mais ou menos ambicioso, então, diz respeito a quantidade de oportunidades percebidas?

Minha tese é que a ambição é maior onde as oportunidades são maiores. Quando as pessoas sentem que podem melhorar de vida elas se tornam muito ambiciosas. Por isso, nos Estados Unidos as pessoas sonham em crescer, ser reconhecidas e ter mais dinheiro. É o tal do sonho americano. Lá, elas vêem chances reais de ascender social e profissionalmente.

Há estudos que mostram que há mais pessoas ambiciosas vindas da classe média. Isso faz sentido para você?

Não conheço tais estudos, mas tendo a acreditar nessa conclusão. As pessoas que vem da classe média tem uma visão mais clara da riqueza e da pobreza. Sendo assim, elas têm noção do que representa subir e o que significa cair um nível na escala social.

A ambição muda de geração para geração?

Não acredito que a ambição das pessoas tenha mudado ao longo das últimas décadas. A idéia de ambição que temos hoje foi consolidada após a Revolução Francesa, de 1789. Crescer significa acumular riqueza. Nossas sociedades, salvo algumas exceções, são capitalistas, empreendedoras e essencialmente burguesas. Os heróis são profissionais bem-sucedidos.

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